O relógio se move quase que imperceptível. Tic, tac... Tic, tac... Tic, tac... Falta pouco mais de um dia, um pouco mais de coragem, um pouco mais de silêncio. O whisky, o cigarro, a máquina que não pára de escrever. Os dedos doem, o medo dói, os nervos doem, a boca dói, a língua mordida sangra e dói, o corpo inteiro submerso. Sinto suas falhas no que esqueço de dizer. Volto aos meus princípios. Era o fim e agora já é um recomeço. Um velho recomeço que sempre traço pelo fim. Esta mesma carta batida, rebatida, marcada pela tinta que escorre entre os dedos. Tanta pressão nas palavras. Pra quê? Pra onde? Pra quem?